O pediatra Daniel Becker, do nosso parceiro Criar e Crescer, publicou essa semana em sua página no Facebook - Pediatria Integral - uma verdadeira aula sobre a necessidade de acolhimento à mulher no pós-parto.

Com sinceridade e uma abordagem humanizada sobre o assunto, o médico relata situações comuns na vida de qualquer mãe recém-nascida, mas que pouco são discutidas por conta dos muitos tabus que ainda rondam o assunto.

Para ele, é esse silenciamento dos medos e das angústias da mulher um dos principais responsáveis pelo colapso emocional e físico, e do cansaço crônico que abate muitas mulheres durante esse período.

"As famílias precisam se organizar para proporcionar à mulher, ao bebê e à família como um todo um momento de nascimento que seja de felicidade e de alegria, e não de tristeza, de blues, depressão e isolamento como muitas vezes acontece", explica o médico.

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Para o pediatra, é preciso considerar o contexto em que vivemos, sim, mas sem deixar de lado a importância fundamental de uma rede de apoio no pós-parto.

"A gente perdeu uma coisa muito preciosa, que ainda existe em muitas situações civilizatórias da humanidade. Se você for no Xingu, por exemplo, vai ver que toda a aldeia se organiza para apoiar a mulher, para que ela tenha um bom momento", afirma o médico, ressaltando, porém, que o contexto sociohistórico, político e econômico em que vivemos hoje não nos permite mais que o acolhimento integral aconteça da mesma maneira como ainda acontece em aldeias indígenas, referindo-se ao provérbio iorubá que diz que "é preciso uma aldeia para cuidar de uma criança".

"Para ajudar uma mulher que está cuidando de um recém-nascido, é preciso nem tanto uma aldeia inteira, mas uma rede de apoio. Essa rede não precisa de duzentas pessoas, basta a gente entender que que uma mulher de classe média e urbana, hoje em dia, já não tem mais os pais presentes no dia a dia - porque perdemos essa noção de famílias ampliadas vivendo juntas numa casa -, o marido pode ficar uma semana em casa mas depois tem que ir trabalhar. A mulher fica num isolamento incrível, e é virtualmente impossível cuidar de um bebê sozinha", pondera Becker.

O médico explica ainda que não se trata apenas das mamadas, de trocar ou dar banho, mas principalmente da vida que acontece em volta, que, é claro, não cessa para que a mulher consiga focar em sua jornada de maternidade.

"Mais do que o cansaço físico, existe um outro cansaço que também deve ser considerado, que é o de não ter tempo pra gente mesmo. Todo ser humano precisa de um tempo para si, que seja para dormir, tomar um banho longo ou fazer uma refeição em paz. As necessidades vitais do indivíduo não desaparecem no puerpério, ainda que a presença de um bebê recém-nascido seja praticamente um impeditivo disso", afirma.

Por isso, se você faz parte do convívio de uma mulher que está vivenciando o período pós-parto, vale interferir e perguntar de qual ajuda ela está precisando - mesmo em casos não solicitados, afinal, para muitas pessoas, há muito receio e constrangimento em pedir ajuda. Acolhimento e estabilidade emocional constituem a base de um puerpério saudável e sem traumas.

Assista ao vídeo completo:

Por uma vida melhor para a mãe e para a família no puerpério

Eu tenho certeza de que nesse video, você - mãe - vai identificar um personagem muito familiar: você mesma.As situações aqui relatadas são lugar comum na vida de uma mãe de recém nascido (e bebês nos primeiros meses de vida), mas pouco se fala delas. Não é à toa que tantas mulheres entram em colapso, se exaurem, deprimem, se esgotam emocionalmente, ficam à flor da pele nesse momento. Muito desse sofrimento pode ser evitado. O puerpério e a vida da família com um bebê pequeno podem ser bem melhores se a gente prestar atenção em questões simples que são negligenciadas, e que podem ser melhoradas com medidas factíveis e alguma precaução. E o segredo é: apoio para a mãe.Não perca.

Posted by Pediatria Integral on Thursday, November 30, 2017

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