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As bonecas LOL Doll têm criado ansiedade em crianças e adultos, ao mesmo tempo em que geram polêmicas e posições contrárias entre os adultos.

Recentemente, o Catraquinha divulgou a opinião de um psiquiatra sobre o assunto. Ele criticou o custo do produto e os efeitos da publicidade direcionada à crianças, gerando um consumismo excessivo e uma falsa noção de utilidade e idolatria nos pequenos.

Em uma linha semelhante, a publicitária Mariana Sá, que é mãe de duas crianças e mestre em políticas públicas,  publicou uma análise sobre a febre da boneca no Brasil. O texto foi divulgado pelo Milc (Movimento Infância Livre de Consumo), iniciativa da qual ela faz parte. 

Segundo Mariana, os adultos no Brasil estão divididos em relação a nova moda: mini bonecas colecionáveis. "Parte não entende qual a graça da LOL Doll e a outra parte não vê qualquer problema em proporcionar uma alegria às crianças, mesmo que custe caro". Na sequência, ela afirma que a boneca "tem graça sim, pois criança não é besta".

"A estratégia das miniaturas não é nova, outros tipos de coleções já viraram febre. A tática vende. E , se vende, "é porque as crianças gostam e os adultos compram, isso porque até os adultos curtem", defende.

Além disso, existe o "efeito surpresa". Na opinião da publicitária, esse é o diferencial do brinquedo, criando ainda mais expectativa. Entre outros fatores, a sensação de ansiedade é alimentada por características da própria embalagem. Ela a define como uma "bola empolgante" para as crianças.

"As peças são intercambiáveis e são descobertas a cada camada. No final, uma boneca fofa (que pode ser) montada pela crianças: com duas ou mais bonecas é inevitável não fazer trocas de roupa, sapato e acessórios, tornando cada boneca única. E mais: tem toda uma diversidade de formatos de corpo, cor de pele e penteado".

Definitivamente, a boneca é atraente para as crianças. Em sua opinião, o problema está nos adultos.

Mariana não critica o fato de os cuidadores comprarem os brinquedo e arcarem com "o custo exorbitante que é cobrado no Brasil", mas critica o fato de não controlarem o acesso das crianças a publicidade e ao YouTube. A principal crítica vai para os vídeos no estilo "unpacking".

"Unpacking" é um definição em inglês para vídeos no Youtube em que crianças aparecem abrindo presentes e brinquedos. Em sua visão, atualmente, há uma série de crianças que querem ser youtubers e abrir montes de brinquedos.

"O que a LOL fez foi gritar para quem ainda não tinha ouvido falar de unpacking sobre a sua perversidade! Por um lado (bom!), a LOL não tem a indústria do entretenimento para apoiar sua estratégia de venda por não ser personagem de filme da Disney ou desenho Discovery, mas o produto se apoiou na vulnerabilidade de crianças ao redor do mundo para se transformar nessa febre: nas crianças que trabalham para anunciar seus produtos e nas crianças que assistem e se tornam cativas por este desejo de abrir, abrir e abrir!"

Na opinião de Marina, o caminho é "restringir, acompanhar e problematizar" os canais de unpacking por três diferentes motivos.

  • É ilegal por usar um princípio básico da propaganda: criança se comunicando com criança. E no Brasil é proibido usar criança para fazer sugestão de uso de produto. Clique aqui acessar os termos da lei.
  • É imoral, já que o mercado tem usado a internet como território livre de qualquer regulação e ética o território da internet.
  • É desigual, pois  poucos podem desembolsar tais valores para comprar esse brinquedo no Brasil e muitos sentirão o efeito do assédio versus privação em suas cabeça a médio prazo.

Além disso, ela levanta a preocupação sobre o fato de as crianças se conectarem tanto com youtubers (seja os de unpacking ou de jogos) atualmente.

"Afinal, não sabemos por que youtubers mirins estão virando celebridades, se o único intuito é despertar o desejo e reacender a máxima cruel da publicidade: 'eu tenho, você não tem'. A única coisa que sabemos é que funciona! E como funciona!", ressalta a ativista.

Para finalizar, Mariana sugere que os cuidadores evitem que seus filhos tenham acesso a esse tipo de conteúdo e que aproveitem mais os momento juntos, com presença e leveza para adultos e crianças.

"Mães e pais, é hora de se posicionar firmemente contra esses canais: block neles! Boicote! Block! Esses youtubers e instagramers não podem ser os melhores amigos dos nossos filhos… Ar livre, natureza, rua, amigos de carne e osso, brincadeiras com o corpo precisam estar na nossa agenda e na nossa lista de prioridades". Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

O Catraquinha reforça a necessidade de evitar o incentivo ao consumo excessivo na infância e estimula cuidadores a denunciarem caso identifiquem violação da lei que visa proteger as crianças da publicidade. Se quiser saber mais sobre como denunciar, clique aqui.

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