Na virada do ano, a foto de um menino negro assistindo aos fogos de artifício na praia de Copacabana viralizou na internet e gerou polêmica. Após o fotógrafo Lucas Landau divulgar as fotos em suas redes sociais, internautas se dividiram entre reações de crítica e admiração.

Um dos pontos apontados foi o fato do registro de uma criança ter sido divulgado sem a autorização prévia dos pais.

Agora, uma notícia publicado pelo jornal EL PAÍS, e escrito pela repórter María Martín trouxe o contexto da história.

No dia 31 de dezembro o garoto de oito anos saiu com sua mãe da favela onde moram a caminho da famosa Copacabana. A mãe, de 35 anos, é vendedora ambulante e, naquela noite, saiu para vender chaveiros entre os 2,5 milhões de pessoas que comemoravam o réveillon à beira da praia.

Ao começarem os fogos, o pequeno se separou da mãe e foi dar um mergulho quando, em seguida, ficou absorto ao observar o espetáculo de luzes no mar.

copacabana, 2018como a foto está sendo bem divulgada, acho válido contextualizar: eu estava a trabalho fotografando as...

Posted by Lucas Landau on Sunday, December 31, 2017

Foi nesse instante que o fotógrafo Lucas Landau, que retratava a festa para a agência Reuters, captou a fascinação do menino. A imagem, após divulgação, virou notícia em vários jornais, inclusive internacionais.

Segundo a reportagem, a mãe do menino soube da repercussão por meio de uma vizinha. Assustada, ela chegou a ir na delegacia de Repressão de Crimes de Informática para apresentar uma queixa. Acreditava que o fotógrafo estava comercializando a imagem sem seu consentimento.

A polícia não qualificou como crime e não haverá investigação, a denúncia ficou resumida a um registro. De acordo com a reportagem do EL PAÍS, essas informações foram retiradas do documento da denúncia.

Lucas Landau fez um post em sua página do Facebook no dia seis de janeiro posicionando-se  diante da polêmica. Ele contou que encontrou o menino cinco dias após "suas vidas terem mudado" e que a fotografia é sua forma de se comunicar.

"Essa é a minha fala: a foto. É assim que me expresso, fotografando. Não acredito ter algo a acrescentar, além do que já contextualizei. Nesse caso em que a fotografia cria vida própria, a opinião do fotógrafo de nada importa. Cada um projeta as suas próprias bagagens quando olha para o menino no réveillon".

Fotografo profissionalmente há 12 anos; publico fotos na internet desde 2005. Mas mesmo com anos ou mesmo décadas de...

Posted by Lucas Landau on Saturday, January 6, 2018

Procurada pelo El País, a mãe se negou a dar entrevista para proteger seu filho.

O uso da imagem de menores de idade, sem autorização, é proibido no Brasil. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante, além da inviolabilidade física e psíquica, também a preservação da sua imagem, identidade, autonomia, valores, ideias e crenças, espaços e objetos pessoais (artigo 17). A proteção à imagem de crianças e adolescentes conferida pelo ECA é mais ampla proteção encontrada no Código Civil. Clique aqui para saber mais.

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