Créditos: Reprodução/Facebook/JimGlaub

Jim Glaub e Dylan Parker receberam as cartinhas no antigo endereço, em Nova York. Hoje, morando em Londres, eles continuam atendendo aos pedidos

Imagine que, antes do Natal, você começasse a receber várias cartas que, originalmente, seriam para o Papai Noel. Pois então, foi isso que aconteceu com Jim Glaub e Dylan Parker. O casal, que costumava viver em Nova York (EUA), no bairro de Chelsea, recebeu centenas de cartas de crianças americanas nos últimos 7 anos.

Eles não têm ideia do porquê o endereço foi escolhido. Assim que se mudaram para o apartamento, no fim de 2009, Glaub e Parker foram advertidos pelos inquilinos anteriores que, volta e meia, alguma carta para o Papai Noel chegava ali, por algum equívoco desconhecido.

"Nunca responderam porque eram apenas três ou quatro cartas por ano", contou Glaub, de 37 anos, à revista “People”. "Nos dois primeiros anos que vivi lá, era exatamente isso. Eu obtive três cartas e, na verdade, eu nem pensava muito sobre elas. Era como dizer “ah, desculpe, número errado”.

Algo mudou em 2011. Naquele ano, o número chegou a 450. Nenhum dos dois sabe explicar o que levou a esse aumento repentino de postagens, mas o casal ficou tocado pela imensa quantidade de crianças que pediam itens básicos, como alimentos, roupas de inverno, calçados e cobertores.

Uma carta em particular ficou guardada com Jim Glaub desde então: a de um menino que gostaria que o Papai Noel lhe desse uma cama. "Isso foi como um soco no estômago", contou.

Foi quando decidiram criar um projeto que, hoje, ganhou contornos globais, com um site próprio e pessoas de vários outros países se candidatando como voluntários para ajudá-los a responder as cartas e enviar os presentes.

Créditos: Reprodução/Facebook/JimGlaub

No início, costumavam receber 4 cartas ao ano. Em 2011 o número chegou a 450

Naquele ano, o casal estabeleceu para si a meta de não deixar sequer uma carta sem resposta. Para isso, contou com a ajuda de amigos próximos, e, pouco mais tarde, Glaub e Parker criaram uma página no Facebook chamada “Miracle on 22nd Street” (Milagre da Rua 22), na qual divulgavam as cartinhas que ainda não tinham sido respondidas.

A iniciativa chamou atenção até de Hollywood, com um filme sobre a história sendo planejado para chegar à telona em 2019, dirigido por Tina Fey.

"O que mais me emocionou é que os autores das cartas eram nossos vizinhos no Bronx, Queens, Manhattan... eram nossa gente", explicou Glaub. "Eu simplesmente senti necessidade de ajudá-los".

Com a colaboração de uma instituição de caridade dos EUA, a Be An Elf, que doa presentes de Natal a crianças de baixa renda, Glaub e Parker atenderam a centenas de pedidos.

As cartas continuam chegando, mas o casal já não mora no mesmo lugar. Mudaram-se para Londres, mas mantêm contato com o atual morador do imóvel para coletar as cartas. E um amigo deles que vive em Nova York reúne os papéis para enviar ao casal e disponibilizar no site do projeto.

O que mais intrigou o casal foi o envolvimento de pessoas de outros países na causa, como Havaí, do Alasca, Alemanha, Londres, Nicarágua, Abu Dhabi, Tóquio. "Eu acho que isso sugere que todos estamos procurando essa conexão com algo maior, disse Dylan Parker".

Hoje, Jim Glaub avalia que essa se tornou uma missão e que não há mais como voltar atrás. "Temos que responder as cartas. É simplesmente uma parte de nossas vidas".

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