A culpa é uma das maiores companheiras das mães: entre se dividir entre o trabalho, as tarefas em casa e o cuidado com as crianças, com frequência elas são cobradas para estar sempre mais com os pequenos. Já aquelas que abrem mão de uma carreira para estar com os filhos também sofrem outros tipos de cobrança. Diante dessas angústias, a psicanalista Vera Iaconelli deu uma entrevista muito esclarecedora para a autora Rita Lisaukas, que tem o blog Ser Mãe é Padecer na Internet, no Estadão.

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Estar sempre com os filhos não é necessariamente o melhor, segundo Vera Iaconelli

Na entrevista, Vera, que é diretora do Instituto Gerar, diz, sobre a cobrança para que os pais estejam sempre com os filhos: “Para começar, estar sempre com os filhos não é o melhor para os filhos, exceto quando recém-nascidos e, ainda assim, são necessárias algumas pessoas se revezando nesta tarefa. Então pensemos que cabe aos pais introduzir os filhos no estilo de vida possível para eles e dentro da realidade do mundo em que vivemos”.

Para a profissional, a melhor conta é considerar quanto tempo dispomos para os filhos, além das tarefas incontornáveis e do trabalho. Outro fator relevante é entender qual é o nosso desejo de estar com as crianças, “porque bons pais e mães têm, necessariamente, outros interesses pessoais”. Pensando nessas questões, o convívio com os filhos deixa de ser mera formalidade ou obrigação.

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Cada família deve considerar suas necessidades e desejos

Vera fala, ainda, que é preciso abandonar o conceito de “família ideal”, e que cada uma terá um acordo, mas lembra que em muitos outros momentos históricos funcionários criavam as crianças e que até em aldeias tradicionais africanas as mães deixam seus bebês com as avós.

Contudo, diante das exigências do trabalho, para a psicanalista, estaríamos obcecados com essa atividade e com os bens que ela proporciona, assim como estamos obcecados pela parentalidade irreal: “Mesmo quando as mulheres ficavam em casa e os maridos voltavam cedo para casa, não se ficava à disposição dos filhos. É interessante essa ideia da importância que os pais dão pra si mesmos na vida dos filhos. O recomendável, se é que existe, vai na direção da autonomia da criança, da oferta de experiências no mundo e não de um fechamento familiar em si mesmo”.

Leia a entrevista na íntegra aqui.

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