Não é mais novidade para ninguém que a imagem socialmente difundida da maternidade quase nunca condiz com o exercício diário e tantas vezes turbulento de ser mãe.

Ainda assim, no imaginário popular, na publicidade e nas conversas de botequim, a imagem da mãe continua envolta em uma série de frases prontas e inverdades que acabam contribuindo para a culpabilização e o sofrimento emocional das mulheres.

Com isso em mente, o coletivo feminista AzMina publicou um texto compartilhando ideias de como suavizar o peso nas costas de uma mãe.

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Pequenas atitudes que podem transformar o modo como a sociedade enxerga o papel da mãe.

"Ser mãe é padecer no paraíso” dizem. Eu sempre detestei essa expressão e, como toda boa feminista, problematizo a naturalização (e romantização) do sofrimento feminino que, sabemos muito bem, serve a interesses não lá muito nobres de manutenção da mulher nesse não-lugar que é a maternidade", defende Tayná Leite, autora do texto e colunista do site.

Confira alguns itens da lista criada por ela:

  • Toda vez que você for julgar uma mãe, respira fundo e conta até 10!

"Serião, ser mãe é difícil, a gente fica sem dormir, sem comer, às vezes até sem escovar os dentes (#quemnunca), aí a cria dá um chilique no mercado simplesmente porque ela está na idade de amadurecimento emocional em que essas birras devem mesmo acontecer e as pessoas fazem o quê? Vão logo julgando a mãe e cuspindo litros de saliva para o ar. Apenas não! Eu aposto que você é forte e consegue se conter. Ao invés disso, olhe com empatia para aquela mãe que com certeza está querendo se enfiar dentro do buraco mais fundo e só sair em 2087. Dê um sorriso tranquilizador e, se você realmente quiser arrasar, ofereça ajuda! Só não invente de pegar na criança pelo amor da deusa."

  • Deixe as mães amamentarem – e os bebês mamarem – em paz

"Os benefícios da amamentação exclusiva até 6 meses e prolongada por dois anos ou mais são consenso na literatura científica e só trazem benefícios se mãe e bebê estiverem satisfeitos com isso. Não amamentou porque não quis, não teve apoio, não teve paciência ou o que for? Tudo bem! Ninguém pode te julgar, mas não precisa minimizar a importância da amamentação para aplacar sua consciência tanto quanto não vale achar que livre demanda é troféu de qualidade de maternidade. Essa dica pode ser aplicada sem restrição também para desfralde/cama compartilhada e qualquer outra decisão de educação familiar que não seja do seu fuck**&¨¨ business."

Vamos falar de paternidade?

"Precisamos exigir dos homens que se posicionem em seu paternar e que assumam as rédeas e as responsabilidades que lhes são cabidas. Não cabe mais em 2018 perguntar “cadê a mãe” sem se perguntar “cadê o pai”. Mãe solo não é pãe, é apenas uma mulher sobrecarregada tendo que cumprir uma função que não é sua e sendo julgada ao cubo simplesmente porque um macho se recusou a fazer seu papel e cumprir suas obrigações! Não romantizemos mais essa forma de opressão tão comum e devastadora!"

Para ler o texto e a lista na íntegra, clique aqui e acesse o site d' AzMina.

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