No último dia 4 de novembro, a blogueira Danyelle Santos, de Niterói, resolveu desabafar sobre os desafios da maternidade e causou comoção nas redes sociais. Intitulado "Sanidade materna", o texto ressalta o excesso de informações que a sociedade, a publicidade e os veículos especializados costumam associar ao exercício da maternidade. Danyelle é professora de inglês, ativista do parto humanizado e mantém o blog Quartinho da Dany.

"Ando preocupada com a sanidade materna. Eu entro nos grupos e, num primeiro minuto, já consigo perceber o tanto de mãe exausta à beira da loucura. Exaustão por passar o dia catando brinquedos o dia todo. Um dos princípios do método montessoriano é a organização do espaço. Uma culpa avassaladora por não conseguir pagar uma escola montessoriana, que custa, no Brasil, por volta de mil reais", relata.

Feminista e ativista do parto humanizado, Danyelle é mãe de Mãe de Caio, 13, e de Artur, de 2 anos.

Créditos: Mari Hart- Photo & Soul

Feminista e ativista do parto humanizado, Danyelle é mãe de Mãe de Caio, 13, e de Artur, de 2 anos.

Segundo ela, as mães de hoje sofrem com o bombardeio de "receitas prontas" para ser uma boa mãe. Da educação das crianças à amamentação, passando pelo desfralde e as brincadeiras diárias, as mães se frustram por não conseguir seguir o caminho sugerido pela sociedade como sendo o ideal para criar os filhos, o que gera frustração e constrói um ciclo vicioso de desencanto com a maternidade.

"Eu não quero métodos que me aprisionam. Educar para a paz e para a liberdade não é seguir uma bíblia com sim’s e não’s", desabafa a blogueira.

Créditos: Mayara Mendes

"Eu não quero métodos que me aprisionam. Educar para a paz e para a liberdade não é seguir uma bíblia com sim’s e não’s", desabafa a blogueira.

A blogueira destaca as aparentes contradições de seguir estes preceitos pretensamente ideais, e chama a atenção para a dificuldade de garantir autonomia e liberdade no desenvolvimento das crianças em um contexto em que o pais e mães têm cada vez menos tempo, estrutura física e financeira para proporcionar tudo isso. Para ela, a presença dos pais e o afeto é mais importante do que seguir métodos prontos.

Diante de tantas receitas que prometem a "criação perfeita", ela afirma ser uma das mães que se sente frustrada por não conseguir alcançar tantos objetivos no dia a dia. Para ela, este é mais um dos artifícios da sociedade para culpabilizar a mulher, e defende o empoderamento das mães na hora de escolher o que é melhor para os seus filhos.

"Não estou defendendo chupeta, mamadeira, indústria alimentícia, brinquedo de plástico ou TV. Estou defendendo a sanidade materna", ressalta Danyelle.

Créditos: Mãe Solo

"Não estou defendendo chupeta, mamadeira, indústria alimentícia, brinquedo de plástico ou TV. Estou defendendo a sanidade materna", ressalta Danyelle.

"Mulher, você é maravilhosa. Permita-se não enlouquecer. Permita-se não cair em depressão. Permita-se ser feliz e aproveitar a maternidade enquanto seus filhos estão pequenos. O tempo voa. Quando você menos esperar, eles estarão grandes e não vão mais querer segurar sua mão pra atravessar a rua. Ao invés de catar brinquedo o dia todo, beije seus filhos e refresque sua cabeça tomando um café quentinho olhando pro céu. Ao invés de morrer de culpa, viva a maternidade como você pode, dentro das suas possibilidades. Você não deve explicação a ninguém."

O relato de Danyelle já tem mais de 4.500 curtidas e mais de 2 mil compartilhamentos, o que revela a urgência das mães de dividir as angústias da maternidade real e a importância de espaços que permitam este diálogo na construção de uma sociedade mais sensível à infância e à escuta do outro. Leia o depoimento completo aqui.

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