Conversar sobre violência sexual com as crianças não é tarefa das mais fáceis. Para muita gente, a própria educação recebida perpetua um tabu sobre qualquer conversa relacionada ao corpo e à intimidade. Porém, a pauta é urgente quando consideramos os índices de abuso sexual infantil: a maioria dos casos acontece dentro de casa.

  • Um relatório da Childhood sobre violência sexual na infância publicado em setembro de 2016 revela que, entre 2012 e 2015, foram registrados mais de 157 mil casos de violência sexual (que engloba tanto a exploração quanto o abuso) de crianças e adolescentes. Isso significa que, a cada uma hora, há pelo menos 4 casos de uma criança ou adolescente sexualmente violentada no Brasil.

Nesse sentido, a leveza dos livros infantis é bem-vinda. Por meio da experiência dos personagens, a criança aprende a nomear a própria vivência, e passa a conseguir identificar quais são os limites do seu próprio corpo.

Recém-lançado pela editora Aletria, de Belo Horizonte, o livro "Não me toca, seu boboca", escrito por Andrea Taubman e ilustrado por Thais Linhares, usa uma linguagem simples própria da criança para narrar e história uma situação de violência sexual. Com personagens do mundo animal, a história se desenrola com a percepção de um toque indesejado de alguém da família da protagonista. Lúdico sem perder a seriedade, o livro empodera os pequenos a se defender se forem vítimas de algum gesto, palavra ou comportamento que a deixarem desconfortáveis.

  • Sinopse: 

"Ritoca tem uma história para contar, meio difícil de entender, muito difícil de falar. O encontro com um tio gentil e sorridente acaba se tornando um pesadelo, do qual Ritoca e seus amigos, felizmente, conseguem escapar. “Se for de um jeito suspeito, ninguém deve tocar na gente!”, ela logo reconhece. De maneira lúdica, o livro Não me toca, seu boboca! mostra a todas as crianças o que é a situação de violência sexual e o que fazer para evitá-la. Uma forma de oferecer segurança e informação às crianças sem perder o encantamento próprio da literatura".

Créditos: Reprodução/Aletria

No livro, os animais dão conselhos ao pequeno leitor sobre como agir se forem vítimas de um gesto indesejado.

O texto da orelha do livro foi escrito por Rita Lisauskas, do blog Ser mãe é padecer na internet, e não poupa as palavras mais diretas e necessárias para alertar os pais e educadores sobre o perigo mais eminente quando falamos de violência sexual na infância: a proximidade do abusador.

"A maioria das crianças abusadas sexualmente conhecia previamente seus abusadores. Eles eram amigos da família, pais, avôs. Gente que frequentava o mesmo ambiente, tinha a confiança dos pais e, claro, das crianças. E por isso se aproveitou da intimidade com a família e da inocência dos pequenos para violentá-los sexualmente".

O livro, que já está em fase de pré-venda, pode ser mediado durante a leitura em casa ou no ambiente escolar, para ajudar educadores a aproximar os pequenos da reflexão sobre o assunto. Para saber mais sobre o livro e como adquiri-lo, clique aqui e acesse o site da editora.

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