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A princípio, é preciso entender se a criança está recebendo a nutrição e cuidados necessários

Quando pessoas estão em situação de vulnerabilidade a busca por serviços de saúde pode não ser a prioridade. Por isso, principalmente no momento da gravidez ou da primeira infância, a visita de enfermeiros ou profissionais da saúde à domicílio pode fazer uma grande diferença.

Nest sentido, a UNICEF divulgou no dia 14 de dezembro os resultados de um projeto que tem contribuído para um melhor atendimento à mulheres grávidas no Cazaquistão, país localizado na Ásia Central.

Enfermeiras vão até a casa das mulheres para acompanhamento e esse método tem sido importante para  prevenir casos de morte entre crianças. O serviço já existia, mas, após algumas mudanças, a proposta tem mais benefícios.

Normalmente, a primeira entrevista duraria entre 5 e 10 minutos. Agora, policlínicas que estão participando de um programa piloto de visitas domiciliares tiveram  um aumento para 30 min.

O atendimento é para mulheres grávidas e famílias com crianças menores de cinco anos e incentiva uma conexão entre serviços sociais e médicos.

Famílias vulneráveis ​​que lidam com questões como falta de renda, problemas de saúde, violência doméstica e outros desafios receberão atenção adicional. Em alguns casos, isso vai exigir vários especialistas, além dos enfermeiros, como psicólogos e assistentes sociais.

Nesta atuação, o profissional também age como um investigador. Isso porque podem detectar sinais de negligência, abuso, relações precárias, dificuldades econômicas, ambiente perigoso e condições insalubres. No passado, a principal preocupação era com o desenvolvimento físico das crianças.

Agora, a avaliação inclui o crescimento da criança de forma mais ampla. Também há interesse em saber, por exemplo, se o pai está presente e comprometido e se a mãe é feliz e descansou o suficiente para passar o tempo com seu filho.

Um dos casos citados como exemplo é o da enfermeira Bibinur. Ela teve dificuldades em se aproximar de uma de suas pacientes, Almagul, que recentemente deu luz à um menino.

A princípio, é preciso entender se a criança está recebendo a nutrição e cuidados necessários. Na etapa a seguir, criança é examinada. O desafio de Bibinur foi fazer Almagul respondê-la.

"Ela se comportou como se eu não estivesse na sala", diz Bibinur. "Ela não mostrou emoção, evitou o contato visual e ignorou minhas perguntas. Tive que perguntar tudo sobre sua situação de vida e a saúde do bebê para sua cunhada, que estava cuidando a criança, trocando fraldas e alimentando".

Neste caso, ao identificar a necessidade não só da criança, mas também da mãe, a enfermeira mudou de plano. Bibinur entendeu que este era um quadro de depressão pós-parto e levou um psicólogo na vista seguinte.

Este segundo profissional trabalhou  com Almagul durante um mês, quatro vezes por semana. Quando ela se tornou mais confiante e receptiva a ajuda externa, Bibinur falou sobre a importância do relacionamento entre mãe e filho, de amamentar e brincar com ele.

"Eu disse a ela que, se ela perder esse período crucial na vida dele, ela não conseguirá reparar o dano no relacionamento de amor e compreensão entre os dois", diz Bibinur.

Após 15 meses, o projeto piloto mostrou resultados importantes. Na cidade de Kyzylorda, crianças morreram menos de causas evitáveis  ​​em seu primeiro ano de vida. O número reduziu de  14,4 a 8,8 óbitos a cada 1.000 crianças.

Segundo a organização, o modelo será expandido para outras regiões do país nos próximos meses.

Clique aqui para ler na íntegra, em inglês.

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