Nas últimas semanas, a novela das 21h da Rede Globo, O Outro Lado do Paraíso, cometeu alguns erros em cenas que mostravam o parto de uma das personagens e, depois, uma sequência que tratava de amamentação cruzada de forma equivocada.

Ao verem determinadas práticas sendo retratadas como normais ou corretas, podem também passar a aceitar e naturalizar violências e erros. Diante da repercussão que as cenas da amamentação cruzada tiveram, a Globo resolveu se retratar na própria novela, mostrando que esta não é uma prática recomendada, justamente porque pode oferecer riscos ao bebê.

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Na cena, Ellen Roche recebe o bebê da outra puérpera para amamentá-lo.

Na nova cena, Suzy (a personagem que amamentava o filho de outra puérpera) explica para Adinéia, a sogra, que, apesar de ter amamentado o filho de outra mãe por alguns dias, resolveu seguir a conduta correta.

“Movido pela generosidade, eu acabei me equivocando. A família da Nádia é tão próxima da nossa que eu acabei oferecendo o leite da Suzi”, diz o marido de Suzy, o médico que havia proposto a amamentação cruzada à sua paciente que, também de acordo com falas da novela, “não tinha leite suficiente”.

“Na minha época não tinha nada disso. Quem tinha leite em excesso, dava para o bebê de quem não tinha” – rebate Adinéia, a mãe do médico. Assim, o casal explica que o jeito certo de ajudar outros bebês é fazendo a doação do leite materno em bancos que analisam e pasteurizam o alimento.

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Karina, a mãe do bebê, é orientada a procurar ajuda para a amamentação de seu bebê porque, segundo o médico, tem uma produção insuficiente de leite.

  • Amamentação cruzada

É importante reforçar que a amamentação cruzada – quando uma lactante amamenta o bebê de outra mãe, é oficialmente contraindicada pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde. A prática oferece riscos de contaminação ao recém-nascido.

Ainda que a mulher pareça estar bem de saúde, ela pode ser portadora de alguma doença ou fazer uso de algum medicamento contraindicado na amamentação. Por isso, o ideal é sempre procurar um Banco de Leite Humano (BLH) para fazer ou receber a doação.

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A amamentação cruzada é formalmente contraindicada pela OMS e pelo Ministério da Saúde.

A diferença fundamental do Banco para a amamentação cruzada é que, no BLH, o leite é tratado, pasteurizado e, por isso, isento de qualquer possibilidade de transmissão de doenças.

Se você é lactante e tem uma boa produção, pode ajudar outras mulheres e outros bebês doando seu leite. De acordo com a legislação RDC Nº 171, você precisará atender alguns requisitos de saúde, veja:

• Não fumar
• Não usar álcool ou drogas ilícitas
• Não tomar medicamentos incompatíveis com a amamentação
• Apresentar exames do pré ou do pós-natal comprovando estar bem de saúde

Se você atende e deseja contribuir, clique aqui ou acesse o site Doe Leite Materno e consulte o BLH mais próximo. Em São Paulo também é possível contar com um serviço de coleta domiciliar, que funciona de segunda à sexta-feira, das 7h às 18h. Confira abaixo os telefones:

HM Dr. Alípio Correa Netto: 3394-8046
HM Campo Limpo: 3394-7693
Maternidade Cachoeirinha: 3986-1011

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