Os alimentos que as mulheres consomem (ou deixam de consumir) durante a gravidez têm impacto direto sobre o aroma, a textura e o sabor do leite que ela produz.

A pediatra e mãe Perri Klass, em um texto publicado no New York Times, verifica que em muitas regiões que têm uma cultura alimentar rica em especiarias e temperos, é comum que os pediatras reduzam a dieta a fim de evitar comidas muito fortes.

Para analisar como o perfil da dieta durante a gestação influencia o bebê, foi realizada a pesquisa "Maternal Diet Alters the Sensory Qualities of Human Milk and the Nursling's Behavior" ("A Dieta Materna Altera a Qualidade Sensorial do Leite Humano e o Corportamento do Bebê", em tradução livre).

O estudo foi publicado pela revista científica "Pediatrics", e revela, dentre outras curiosidades pertinentes ao desenvolvimento do bebê, que, quanto maior o consumo de alho pela gestante, mais tempo e com mais vigor os bebês mamam no peito. A conclusão a que os pesquisadores chegaram é que o odor forte que o alimento libera no leite exerce um efeito atrativo.

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Consumir uma ampla variedade de alimentos durante a gestação é benéfica para o desenvolvimento da criança, e constrói as bases do paladar que ela levará para a vida toda.

A biopsicóloga Julie Mennella, do Centro de Sentidos Químicos Monell, é uma das autoras da pesquisa, e afirma que a exposição precoce a sabores considerados fortes e marcados é benéfica para a formação do paladar dos pequenos. "O fluido amniótico e o leite materno possuem muitas informações sensoriais. O bebê tem acesso a essa informação quando consome o leite".

“Os sabores consumidos durante a gravidez também chegam ao sangue e ao líquido amniótico, que é constantemente bebido pelo feto no útero, e os sabores degustados pela mãe durante o período de lactação passam das veias que fornecem sangue às glândulas mamárias e à produção do leite materno. Por isso, em vez de restringir a dieta da mãe, existem boas evidências de que comer uma grande variedade de alimentos saudáveis e saborosos durante esses períodos é na verdade um favor que fazemos aos nossos bebês”, esclarece o artigo.

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O estudo tem como principal objetivo suprir a lacuna existente acerca das qualidades sensoriais do leite materno.

  • Resumo da pesquisa - Embora a maioria dos bebês humanos seja amamentada durante os primeiros meses de vida, há uma escassez de informações sobre as qualidades sensoriais do leite humano e como essas qualidades são afetadas pela dieta materna. O presente estudo investigou os efeitos da ingestão de alho pela mãe no odor de seu leite materno e o comportamento de amamentação de seu bebê. A avaliação das amostras de leite por um painel sensorial revelou ingestão significativa de alho e aumentou consistentemente a intensidade percebida do odor ao leite; Este aumento na intensidade de odor não foi aparente 1 hora após a ingestão, atingiu o pico de força 2 horas após a ingestão e diminuiu depois disso. Que o lactente detectou essas alterações no leite materno é sugerido pela descoberta de que os bebês estavam presos ao peito por longos períodos de tempo e sugavam mais quando o leite cheirava a alho. Havia uma tendência para que os bebês ingerissem mais leite também; A falta de um efeito significativo pode ser devido às limitações inerentes à quantidade total de leite disponível para o bebê.

Outro ponto que o estudo salienta é que o estímulo e a exposição à maior variedade de sabores possível deve ser um contínuo durante toda a vida.

“Os bebês são extremamente adaptáveis e aceitam todo o tipo de sabores estranhos”, defende Lucy. Clique aqui para se aprofundar no assunto e ler a pesquisa na íntegra.

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