O ministro da Saúde Ricardo Barros fez uma pronunciamento polêmico na última terça-feira. Em seu anúncio sobre planos do ministério para reduzir a obesidade no Brasil, ele relacionou a situação ao fato de as mães não estarem em casa com os filhos.

De acordo com informações do jornal O Estado de S.Paulo, o ministro disse: "É preciso qualificar essas crianças para manipular os alimentos. Muitas delas não ficam em casa com as mães e não têm oportunidade de aprender a descascar os alimentos. É preciso descascar mais e desembalar menos". Em momento algum, ele mencionou o papel do pai ou de outras pessoas no cuidado das crianças.

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Ministro da Saúde, Ricardo Barros José Cruz / Agência Brasil

Além disso, Ricardo Barros afirmou que, diferentemente do que acontecia antigamente, como as mães não estão em casa, os filhos não têm oportunidade de acompanhá-las nas tarefas diárias.

Na ocasião, o ministro assumiu três metas até 2019: parar o crescimento da obesidade, reduzir o consumo de refrigerantes e de sucos artificiais em pelos menos 30% e aumentar em 17% a quantidade de adultos que comem frutas e verduras.

Para o desenvolvimento desse trabalho, o Ministério da Saúde vai estabelecer uma parceria com o Ministério da Educação, a fim de ensinar hábitos saudáveis para as crianças.

O papel é do dois

Diante do pronunciamento de Ricardo Barros, a psicóloga e especialista em conflitos maternos Bianca Amorim diz: "Sabemos, embora ainda seja preciso mudar a realidade em muitos lares brasileiros, que tanto pai quanto mãe são responsáveis igualitariamente por seus filhos, portanto, cabe aos dois o papel de educador não só de uma alimentação mais saudável, como em vários outros aspectos".

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Reduzir consumo de refrigerantes é uma das metas do ministério

A especialista aponta, inclusive, a necessidade de ampliarmos a rede de cuidados e envolver educadores, a família e toda a comunidade na conscientização da infância quanto à alimentação: "Não há como negar que todas essas crianças que só sabem abrir pacotes, segundo o ministro, estão inseridas em um contexto sociocultural e também precisam vivenciar uma realidade diferente em suas escolas, por exemplo. Somos frutos de toda uma sociedade, os pais são os principais responsáveis, mas toda a sociedade precisa assumir sua pequena parcela de apoio ao desenvolvimento das nossas crianças".

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